ROSALIE


The light is beautiful
But I'm darker than light
And you are wonderful
But this moment is mine

All of this dust
All of this past
All of this over and gone
And never coming back
All of this forgotten
Not by me

(All of this past - Sarah Bettens)



Ela sentiu os ossos estalando sob seus dedos gelados, os gritos de dor do homem aos seus pés ecoando em seus ouvidos.

- Por favor... por favor, me mate logo, mas termine com isso... – Royce choramingou, segurando o braço fraturado contra o peito, já tendo desistido de fugir dela, inútil com suas duas pernas quebradas.

- Eu não me lembro de você ter tido compaixão comigo antes, Royce. Por que eu deveria estender essa cortesia a você? – Rosalie perguntou, limpando uma partícula invisível de sujeira da saia, antes de fixar os olhos dourados sobre ele – Eu não gostaria que nossa diversão terminasse tão cedo. Mas não se preocupe, Royce; eventualmente, você irá morrer.

Não pela primeira vez, ele tentou se arrastar no chão, sua respiração pesada ecoando sinistramente no quarto vazio, em contraste com o completo silêncio da criatura pálida, absolutamente soberba em seu vestido de noiva.

Ela podia ouvir as batidas frenéticas do coração dele contra as costelas, o fedor de medo misturado à urina às lágrimas e ao suor frio. Rosalie quase sentia vontade de rir em pensar que o grande Royce King urinara nas próprias calças ao vê-la.

Ela se perguntava se tivera aquele mesmo odor enquanto era jogada nos braços do amigo do ex-noivo, as risadas bêbadas ecoando ao seu redor, a dor, a vergonha... Tudo o que desejara em sua existência, ela perdera naquela noite. E por quê? Por quê?

Por causa de sua beleza.

Suja. Conspurcada. Maldita. Violada. Esses eram os adjetivos que iam com sua beleza. Nada de bom jamais viera de ser como era. Tudo lhe fora tirado num piscar de olhos, numa rua escura, sob a neve que caía em flocos de algodão.

Sangue na neve.

Não haveria sangue dessa vez. Embora a idéia de ver Royce sangrar até a morte como um porco fosse tentadora, ela sabia que não tinha força suficiente para se abster de beber dele se isso acontecesse. E ela se recusava terminantemente a ter qualquer coisa dele dentro de si.

Os saltos de seus sapatos ecoaram no chão de cimento batido enquanto ela atravessava a sala até parar de frente para ele, levantando-o pela nuca como se ele não pesasse, a força de seu punho fechado arrancando tufos de cabelo, fazendo o homem soltar um grito estrangulado.

A respiração dele já estava ofegante. Apesar de ter prendido a respiração após os primeiros golpes, Rosalie sabia que ele sangrava internamente; não demoraria muito mais agora. Com gestos precisos, ela forçou o pulso que segurava o braço quebrado para trás, quebrando os ossos da mão e deslocando o ombro para trás.

Royce urrou de dor em seu rosto. Dessa vez, ela não segurou o sorriso.

- Não foi exatamente dessa maneira que você fez comigo... Mas creio que está bem próximo, não é verdade? – ela perguntou.

Ele agora murmurava incompreensivelmente, as lágrimas e o suor cortando caminho pelo rosto contorcido de dor. Rosalie o soltou, deixando que ele caísse molemente no chão, patético e partido além de qualquer possibilidade humana. Mesmo que ela o permitisse sobreviver, ele nunca mais seria o mesmo; passaria o resto dos seus dias em cima de uma cama, dependendo dos outros, imprestável para qualquer coisa.

Mas ela não o deixaria viver.

Se houvesse uma maneira, ela gostaria de estender um pouco mais a vida de Royce, apenas para vê-lo sofrer um pouco mais. Ela gostaria de vê-lo sofrer para o resto de sua existência, para ser sincera. Mas ele só tinha mais alguns minutos de vida; não o suficiente para durar a sua eternidade.

E, apesar de se sentir extremamente satisfeita com o alcance de sua vingança, Rosalie sabia que aquilo jamais seria o suficiente para apagar as cicatrizes que Royce e seus amigos lhe tinham infligido na alma. Ela jamais deixaria o passado ir embora.

O coração de Royce deixou de bater.